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4 junho 2009

Madeleine Vionnet, puriste de la mode

dg6jmf2t_36fpmbm8f6_bEra o começo do século XX, se abria o debate cultural sobre o uso do corset e sua influência negativa na saúde das mulheres. Eram dias em  que Isadora Duncan dançava descalça com uma túnica branca e Europa atravessava uma profunda revolução cultural que daria origem a um novo modelo de vida. Este era o mundo de Vionnet, e este ano vamos ouvir falar muito dela. Primeiro pela reabertura da maison, segundo pela mega exposição que Musée da Mode et du Textiles, fará como uma retrospectiva sobre seu trabalho: Madeleine Vionnet, puriste de la mode. Uma coleção composta por 122 vestidos, 750 desenhos e 75 álbuns de imagens que foram doadas pela estilista na década de 50. Mas você sabe porque ela é tão importante na história da moda?

 

untitled-1Em 1912 Madeleine Vionnet abre seu primeiro atelier, que fecha por causa da guerra, para retornar em 1918.
Da mesma forma que Chanel, Vionnet buscava um novo modelo para a mulher moderna; enquanto Coco se inspira no traje masculino, Vionnet decide voltar às origens, à túnica clássica. Para isso, cria peças fluidas, drapeadas e que não impunham uma forma ao corpo, e sim seguiam naturalmente a própria forma deste, Madeleine Vionnet cria algo tão simples (agora) como colocar o tecido ao cortar com um ângulo de 45º;assim inventa o corte ao viés. Técnica que até então só era utilizada em golas, nunca em um vestido inteiro.
O resultado é um vestido leve, etéreo, delicado, que lembra à túnica romana. No entanto, mesmo que aparentemente fosse algo simples que lembrava ao mundo clássico, a estrutura interna era baseada em complicados estudos geométricos.

A partir deste momento, começa um novo capítulo na carreira de Vionnet que se centra no uso do corte ao viés e em como se comportam os diferentes materiais ao colocá-los em posição obliqua (nem todos os tecidos caem e cedem igual) Em cada uma de suas coleções se escolhe um modelo geométrico sobre o qual se experimenta: o quadrado, o retângulo, o triângulo ou a espiral logarítmica com a qual criou suas famosas rosas de tecido.Vionnet não fazia esboço de seus desenhos, improvisava sobre um manequim sobre uma banqueta de piano, como se modelasse barro, ia modelando formas, volumes e linhas.

dg6jmf2t_37fp4xrkck_bMadeleine foi uma visionária e sempre lembrou de sua origem humilde. Teve que deixar a escola aos 12 anos, aprendeu corte e confecção trabalhou como costureira durante muitos anos antes de trabalhar em reputadas casa de moda das Soeurs Callot e Doucet.
Por isso quando mudou seu atelier a uma nova sede em Av. Montaigne onde sobretudo pensou nas condições de trabalho das costureiras (Vionnet não tinha esquecido sua própria experiência e as duras condições às que se tinha enfrentado quando era jovem) No edifício havia uma enfermaria, cafeteria, creche para os filhos das trabalhadoras, dentista… Além disso concede licenças-maternidade e férias remuneradas, uma verdadeira empresária a frente de seu tempo, já que em 1922 não eram obrigatórios esse direitos que são tão básicos para nós.

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dg6jmf2t_39xddw8dfg_bNo mesmo ano propõe outra grande inovação: o copyright para proteger os modelos de Alta Costura. Suas criações levavam uma etiqueta com sua assinatura e sua digital. Ela fotografava todas suas roupas na frente de dois espelhos junto à um número de série, ou em três ângulos diferentes, assim tinha álbuns organizadíssimos com todas as suas criações.

Depois do craque de Wall Street e a crise econômica sucessiva, a moda se volta mais ostentosa e procura seus modelos nas grandes divas de Hollywood. Os vestidos de Vionnet conservam a aparência simples clássica, são vestidos que dialogam com o corpo feminino e que não existem sem ele. A coleção da primavera de 1939 foi suntuosa como nenhuma o tinha sido antes; foi elegante e bela, uma explosão de alegria. Também foi a última coleção de Vionnet que com o início da 2ª guerra fecha seu atelier. Morre em 1975.

Quem tiver a oportunidade, não pode deixar de desfrutar com seus próprios olhos estes tesouros.
De 18 de junho de 2009 e até 24 de janeiro de 2010
Les Arts Décoratifs – 107, rue de Rivoli 75001 Paris

 


 

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Ana Claudia Lopes, Blogueira do Cajon De Sastre

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