Posts da tag ‘Cajon De Sastre’

1 julho 2009

It-Girl: Iris Apfel

 

 

foto-1Quem acompanha o Cajon sabe que eu adoro uma it-girl da terceira idade. Acho incrível quando uma senhora se destaca pelo estilo de se vestir – e mais: é reverenciada por isso (porque há até alguns anos essa faixa etária estava completamente esquecida por todos – mídia e comércio). Pois Iris Apfel é uma dessas que apesar dos seus 86 anos ainda inova e inspira outros com seu estilo próprio. Ela foi a musa da última Resort Collection de Jason Wu (aquele novo talento de New York que ficou mais conhecido depois que Michelle Obama usou um de seus vestidos), desfilada no dia 6 de junho em New York. Mas na verdade não é de hoje a redenção do mundo da moda ao encanto do estilo de Iris Apfel… 

 

No último meio século Iris tem sido uma personalidade do mundo da moda e design de interior nos Estados Unidos. Ela o marido fundaram em meados dos anos 50 a ‘Old World Weavers’, uma empresa de tecidos de decoração que se tornou uma das mais prestigiadas do ramo, e autoridade em reprodução de padronagens antigas. Os clientes incluiram Greta Garbo e Estee Lauder, e eles fizeram projetos de restauração para a Casa Branca e o Museu Metropolitan em New York. Depois de três décadas eles venderam a tecelagem mas continuaram como consultores. Foram suas viagens pelo mundo à procura de tecidos históricos que resultou na coleção fashion de Iris. 

 

 

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A originalidade de Iris Apfel é misturar alta-costura com achados em mercados de pulgas – só que ela já fazia isso muito antes de ser considerado fashion! Entretanto, Iris vai além (sem medo de ser feliz!), fazendo combinações super extravagantes que misturam texturas, cores e estampas sem se preocupar com convenções estéticas, de que período ou de onde são as peças. Básico é uma palavra que não existe em seu dicionário. Para ela a moda tem que ser uma experiência divertida, então porquê usar apenas uma pulseira quando se pode colocar duas ou três no mesmo braço? De acordo com o seu ‘b a bá’ de estilo, um Dior pode viver alegremente sobreposto por um maxi-colar de uma feirinha mexicana. O objetivo é alcançar um resultado onde parece que as peças foram jogadas a esmo, mas que no entanto fica super chic (’thrownaway chic’, como ela mesma chamou). Acima de tudo ela acredita que um estilo próprio está acima de tendências, ou seja, as peças não perdem o ‘valor’ após uma estação porque você sabe como combiná-las de forma diferente dentro do seu estilo (ela compra peças que ela gosta, e não porque estão na moda). Mas claro que para ter um guarda roupa extenso e rico como o dela ajuda ter o mesmo corpo desde os 12 anos!!

 

 

foto-3Em 2005 o Metropolitan em New York fez uma exposição sobre Iris, chamada ‘Rara Avis: Selections from the Iris Barrel Apfel Collection’. O MET montou looks inteiros, dos anos 50 até 2005, da forma como Mrs. Apfel os usou. A própria ajudou a adicionar os acessórios que são tão importantes no seu estilo. Ela diz que sem seus acessórios estaria perdida e prega que eles podem mudar inteiramente um look. Sua marca registrada é o óculos redondo gigante, com aro preto bem grosso. Logo depois da expo, ela foi tema de um livro de capa dura (daqueles bonitos para deixar na mesa de centro da sala!) chamado “A Rare Bird of Fashion” (livre tradução: “O Pássaro Raro da Moda”, mas ‘bird’ também pode ser uma brincadeira porque era como os homens se referiam a uma mulher bonita há décadas atrás). O livro se tornou uma bíblia para quem gosta de moda. Detalhe: Iris também está no Facebook! E quem não gostaria de ser amiga dela… afinal, poderíamos aprender muito com uma pessoa que viveu tanto e se destacou na moda. 

  

 

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Para quem quiser ver mais senhoras e senhores fashion, visite o blog Advanced Style, tipo um Sartorialist da terceira idade – o máximo!

 

 

 

 

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Post: Ana Claudia Lopes, Blogueira do Cajon De Sastre.

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4 junho 2009

Madeleine Vionnet, puriste de la mode

dg6jmf2t_36fpmbm8f6_bEra o começo do século XX, se abria o debate cultural sobre o uso do corset e sua influência negativa na saúde das mulheres. Eram dias em  que Isadora Duncan dançava descalça com uma túnica branca e Europa atravessava uma profunda revolução cultural que daria origem a um novo modelo de vida. Este era o mundo de Vionnet, e este ano vamos ouvir falar muito dela. Primeiro pela reabertura da maison, segundo pela mega exposição que Musée da Mode et du Textiles, fará como uma retrospectiva sobre seu trabalho: Madeleine Vionnet, puriste de la mode. Uma coleção composta por 122 vestidos, 750 desenhos e 75 álbuns de imagens que foram doadas pela estilista na década de 50. Mas você sabe porque ela é tão importante na história da moda?

 

untitled-1Em 1912 Madeleine Vionnet abre seu primeiro atelier, que fecha por causa da guerra, para retornar em 1918.
Da mesma forma que Chanel, Vionnet buscava um novo modelo para a mulher moderna; enquanto Coco se inspira no traje masculino, Vionnet decide voltar às origens, à túnica clássica. Para isso, cria peças fluidas, drapeadas e que não impunham uma forma ao corpo, e sim seguiam naturalmente a própria forma deste, Madeleine Vionnet cria algo tão simples (agora) como colocar o tecido ao cortar com um ângulo de 45º;assim inventa o corte ao viés. Técnica que até então só era utilizada em golas, nunca em um vestido inteiro.
O resultado é um vestido leve, etéreo, delicado, que lembra à túnica romana. No entanto, mesmo que aparentemente fosse algo simples que lembrava ao mundo clássico, a estrutura interna era baseada em complicados estudos geométricos.

A partir deste momento, começa um novo capítulo na carreira de Vionnet que se centra no uso do corte ao viés e em como se comportam os diferentes materiais ao colocá-los em posição obliqua (nem todos os tecidos caem e cedem igual) Em cada uma de suas coleções se escolhe um modelo geométrico sobre o qual se experimenta: o quadrado, o retângulo, o triângulo ou a espiral logarítmica com a qual criou suas famosas rosas de tecido.Vionnet não fazia esboço de seus desenhos, improvisava sobre um manequim sobre uma banqueta de piano, como se modelasse barro, ia modelando formas, volumes e linhas.

dg6jmf2t_37fp4xrkck_bMadeleine foi uma visionária e sempre lembrou de sua origem humilde. Teve que deixar a escola aos 12 anos, aprendeu corte e confecção trabalhou como costureira durante muitos anos antes de trabalhar em reputadas casa de moda das Soeurs Callot e Doucet.
Por isso quando mudou seu atelier a uma nova sede em Av. Montaigne onde sobretudo pensou nas condições de trabalho das costureiras (Vionnet não tinha esquecido sua própria experiência e as duras condições às que se tinha enfrentado quando era jovem) No edifício havia uma enfermaria, cafeteria, creche para os filhos das trabalhadoras, dentista… Além disso concede licenças-maternidade e férias remuneradas, uma verdadeira empresária a frente de seu tempo, já que em 1922 não eram obrigatórios esse direitos que são tão básicos para nós.

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dg6jmf2t_39xddw8dfg_bNo mesmo ano propõe outra grande inovação: o copyright para proteger os modelos de Alta Costura. Suas criações levavam uma etiqueta com sua assinatura e sua digital. Ela fotografava todas suas roupas na frente de dois espelhos junto à um número de série, ou em três ângulos diferentes, assim tinha álbuns organizadíssimos com todas as suas criações.

Depois do craque de Wall Street e a crise econômica sucessiva, a moda se volta mais ostentosa e procura seus modelos nas grandes divas de Hollywood. Os vestidos de Vionnet conservam a aparência simples clássica, são vestidos que dialogam com o corpo feminino e que não existem sem ele. A coleção da primavera de 1939 foi suntuosa como nenhuma o tinha sido antes; foi elegante e bela, uma explosão de alegria. Também foi a última coleção de Vionnet que com o início da 2ª guerra fecha seu atelier. Morre em 1975.

Quem tiver a oportunidade, não pode deixar de desfrutar com seus próprios olhos estes tesouros.
De 18 de junho de 2009 e até 24 de janeiro de 2010
Les Arts Décoratifs – 107, rue de Rivoli 75001 Paris

 


 

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Ana Claudia Lopes, Blogueira do Cajon De Sastre

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1 junho 2009

Fashion Rio chegando!

fashion-rioA contagem regressiva começou! Faltam exatamente 9 dias para o nosso desfile no Fashion Rio. A corrida contra o tempo parece cada vez mais apertada. Os últimos detalhes estão sendo definidos e a ansiedade para ver o resultado do trabalho que envolve tantas pessoas, durante quase 6 meses, é imensurável.

 

E, quando chega a hora, é uma emoção que só quem está lá, vendo ao vivo, pode descrever.

 

Quer sentir isso? Ver o desfile de pertinho, como nosso convidado?

 

Então, corra nos blogs dos nossos blogueiros grifados e conte a sua história pessoal com a Espaço Fashion!

A melhor resposta ganha um par de convites.

 

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Blogs:

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27 maio 2009

Conheça Pam Hogg

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Como todas nós já sabemos, os anos 80 estão de volta na moda – e com ele chega a cena rock n’ roll underground que revolucionou (e chocou) a década. Então prepare-se para conhecer Pam Hogg. Você provavelmente nunca ouviu falar nesse nome, mas ele está sendo pronunciado – e muito! – em Londres. Pam Hogg foi uma rebelde da noite londrina nos anos 70 e 80, sempre nos clubs e adepta do punk e rock n’ roll. Em fevereiro ela desfilou na London Fashion Week depois de 10 anos de ausência das passarelas e desde então não para de ser mencionada na mídia.

 

A história de Pam Hogg é repleta de nomes conhecidos da música, um verdadeiro dicionário de ‘quem é quem’, ou ‘quem foi quem’. Isso porque Hogg nao é apenas estilista, ela também circula pela música, vídeo e filme. E, diga-se de passagem, está nessa desde o final dos anos 70, quando formou sua primeira banda, ‘Rubbish’ (‘Lixo’). Ela começou a fazer roupas porque queria ter modelitos sensacionais para arrasar na noite! Detalhe: ela é completamente autodidata. Suas influências vem da liberdade do punk e de figuras extravagantes da cena club londrina como Leigh Bowery, David Bowie e Boy George. Seu primeiro desfile, no começo dos anos 80, se chamou ‘Psychedelic Jungle’. A coleção tinha vários modelos em vinil, espartilhos e roupas transparentes, cheio de anarquismo e bom humor. A primeira loja foi aberta no Soho, em Londres, em 1989. Entretanto nos anos 90 Pam voltou-se novamente para a música com uma banda chamada ‘Doll’ e abriu shows para Debbie Harry. No final daquela década produziu seu primeiro filme, ‘Accelerator’, com Anita Pallenberg e Bobby Gillespie. Desde então fez projetos de roteiro, direção e música que incluíram Primal Scream, Darryl Hannah, Jarvis Cocker e Chicks on Speed. Resumindo, Pam Hogg é cult!

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Dizem que ela resolveu voltar agora para as passarelas porque stylists das revistas Dazed and Confused e I-D – duas das mais antenadas – estavam à procura de suas peças antigas. Em outubro do ano passado a Browns, uma das butiques mais conhecidas e respeitadas de Londres, deu carta branca para Pam criar uma instalação nas vitrines para abrigar suas roupas. A revista LOVE, que foi lançada uns dias antes do desfile no London Fashion Week, chegou às bancas com um editorial inteiro dedicado a Pam Hogg (a LOVE foi a revista mais comentada do ano e o Cajon já falou aqui e aqui). foto-5A marca foi relançada como Hogg Couture e é a própria Pam que senta na máquina e costura tudo! A estilista apresentou macacões metálicos grudados no corpo – bem glam rock, fiel ao estilo que fazia antes! O desfile abriu com a ‘it’ girl inglesa do momento, Daisy Lowe, seguida por Alice Dellal. Na semana passada ela colocou mais lenha na fogueira ao abrir uma pop-up store (daquelas que só existem durante um tempo e desaparecem). A loja ficará aberta até 13 de junho e ocupa um espaço na Newburgh Street (paralela a Carnaby Street), a apenas algumas portas da original loja dos anos 80. Lá você encontra camisetas, pratos, canecas, posters, CDs autografados e itens da coleção de verão, assim como peças vintage.

 

 

Para saber mais sobre Pam Hogg, acesse as páginas do myspace aqui e aqui e o facebook. E clique aqui e aqui para ver os clipes de ‘Opal Eyes’ e ‘Electricman’ da Hoggdoll (a nova banda), que mostram as amigas Siouxsie Sioux e Alison Mosshart (do The Kills). Ahh… as roupas dos clipes são da Hogg Couture, claro!

 

Em tempo: a Top Shop já esta vendendo um macacão sem manga todo em lycra dourada… 

 

 

Quem é Quem: 

 

Leigh Bowery. Artista performático, club promoter, ator e pop star, considerado uma das figuras mais influentes nos ciclos de arte e moda dos anos 80 e 90 em Londres e New York. Seu estilo extravagante já inspirou Alexander McQueen, Boy George, John Galliano, o fotógrafo David LaChapelle, bandas nu-rave e boates que quiseram perpetuar seu estilo. 

 

Boy George. (na foto com Pam, de chapéu) Cantor inglês do início dos anos 80. Ele fazia parte de cena musical dos ‘novos românticos’ e sempre se apresentava muito maquiado. Boy George era figurinha carimbada nos clubs londrinos e até hoje (apesar das confusões em que tem se metido) é reconhecido como uma das figuras-ícone daquela década.

 

David Bowie. Inglês, músico e ator, conhecido pela androginia e por sempre re-inventar seu visual. Seu personagem / alter-ego mais famoso foi Ziggy Stardust, lançado em 1972 no estilo flamboyant glam rock. David Bowie é o vilão do filme infantil ‘Labirinto’. Ele compõe e canta até hoje, fez uma turnê há alguns anos, é casado com a modelo Iman e reconhecido como um dos maiores rockeiros de todos os tempos. 

 

Siouxsie Sioux. Cantora inglesa, vocalista do grupo Siouxsie & the Banshees, que existiu entre 1976 e 1996. Considerada uma das cantoras inglesas mais influentes da era do rock. Re-apareceu com uma turnê no ano passado (inteirona e usando um macacão de lycra da amiga Pam Hogg)

 

Bobby Gillespie. Vocalista do Primal Scream. 

 

Anita Pallenberg. Modelo e atriz. Foi par romântico de Keith Richards (do Rolling Stones) entre 1967 e 1979, com quem tem dois filhos. Pallenberg atuou com a vilã no filme cult Barbarella. 

 

Jarvis Cocker. Vocalista da banda Pulp, uma das mais importantes do movimento brit-pop de meados dos anos 90. 

 

Debbie Harry. Cantora americana, mais conhecida como a vocalista da Blondie. Figurinha carimbada do Studio 54 em New York e amiga de Andy Warhol (foi inclusive pintada por ele). Em 2005 re-apareceu com a Blondie numa turnê na Inglaterra. A música mais conhecida da banda é ‘Heart of Glass’.  

 

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Post: Ana Claudia Lopes, Blogueira do Cajon De Sastre

 

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20 maio 2009

.:: Blogueiros Grifados

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Cariocas espalhados pelo mundo postando o que há de mais bacana em moda, arte e design; jovens ávidos por vanguarda na cena carioca e um baladeiro assessor de imprensa que sabe tudo sobre o que rola de melhor na vida cultural do Rio, juntamente com as melhores festas e eventos. O que eles têm em comum?

A partir de agora eles estarão colaborando com o nosso blog!

Convidamos Ana Claudia Lopes, do blog Cajon DeSastre, Fabiano Moreira, do aGEMdA e, André Chaves do Ask the Dust para dividirem conosco suas visões, experiências e dicas, trazendo para o Blog da Espaço novidades sobre os mais diversos assuntos!
A partir dessa semana você poderá conferir os posts desses blogueiros especialmente para a Espaço Fashion.

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